Língua de sinais: o que é e qual a sua importância para uma sociedade inclusiva?

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Segundo a ONU, dia 23 de setembro é o Dia Internacional da Língua de Sinais. No Brasil, nós temos a Língua Brasileira de Sinais, a famosa LIBRAS.

Mas, ao contrário do que se pensa, a língua de sinais não é universal.

No mundo todo existem mais de 300 conjuntos de sinais diferentes que nos ajudam a comunicar com a comunidade surda. 🦻

Vamos saber mais sobre essa importantíssima ferramenta de inclusão?

Afinal, o que é a língua de sinais?

Primeiramente, precisamos esclarecer a diferença entre língua e linguagem.

Uma linguagem é a capacidade que temos para produzir, compreender e desenvolver a língua e outras formas de nos expressar.

Essas manifestações podem ser através da música, da dança e da pintura, por exemplo. Ou até mesmo através da linguagem oral, corporal e visual.

Já a língua é um conjunto de elementos sonoros e gestuais que, de maneira estruturada, torna possível a comunicação de uma comunidade.

Por ter uma estrutura e regras próprias, uma língua não pode ser uma linguagem.

Entretanto seus usuários fazem uso diversas linguagens para se comunicar através dela, como a oral.

Por exemplo, LIBRAS é um sistema verbal característico usado pela comunidade surda brasileira, mas usa o gesto para efetuar o ato comunicativo.

E o que significa Libras?

Libras é a sigla para Língua Brasileira de Sinais, uma língua que seus usuários utilizam através do gestual e visual. 🧏

Sendo assim, é possível se comunicar através de gestos, expressões faciais e corporais.

Desse modo, a Libras é diferente da Língua Portuguesa, que é usada apenas através da modalidade oral-auditiva.

A Libras é composta por um alfabeto, além de sua própria estrutura linguística e gramatical, sendo ela complexa como qualquer outra língua.

Ou seja, seus sinais não são mímicas e têm uma construção totalmente diferente do Português.

Também existe a LGP (Língua Gestual Portuguesa), a ASL (American Sign Language), a BSL (British Sign Language), a LMS (Língua Moçambicana de Sinais) e diversas outras.

No Brasil, ela é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão desde 24 de abril de 2002, através da Lei nº 10.436.

A conquista foi o resultado de uma grande mobilização feita pela comunidade surda brasileira em busca da ampliação dos seus direitos.

A língua de sinais é uma importante ferramenta de inclusão para a sociedade brasileira.

Entretanto, até hoje ainda há obstáculos na hora de garantir a acessibilidade para as pessoas com deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão

Para assegurar o cumprimento dos direitos das pessoas com deficiência, foi criado o Estatuto da Pessoa com Deficiência (oficialmente a Lei Brasileira de Inclusão).

Nela, existem diversas cláusulas que buscam implantar condições políticas e legais a favor da inclusão.

Contudo, poucas pessoas conhecem a legislação, o que dificulta que ela seja posta em prática.

A seguir, vamos listar de que forma a língua de sinais está envolvida no acesso da comunidade surda a partir das diretrizes da LBI.

Acesso à saúde

Além da atenção integral à saúde da pessoa com deficiência pelo SUS, os artigos de 18 a 26 descrevem de que forma as ações e os serviços de saúde podem garantir seus direitos.

Primeiramente, os profissionais de saúde devem receber uma capacitação inicial e continuada para prestar assistência às pessoas com deficiência.

Além disso, o acesso aos serviços de saúde, tanto públicos como privados, e as informações prestadas e recebidas devem ser asseguradas.

Assim, os meios para a acessibilidade podem ser através de recursos de tecnologia assistiva e de todas as formas de comunicação previstas, incluindo a língua de sinais.

Acesso à educação

Além de garantir o acesso, é importante assegurar a continuidade e a permanência da pessoa com deficiência nos institutos educacionais.

Para isso, é preciso que tenha a oferta de uma educação bilíngue nas escolas.

Ou seja, um ensino em Libras como primeira língua e na escrita da língua portuguesa como segunda língua.

A importância da segunda língua, além da língua de sinais, pode ser entendida através da pesquisa que identificou que cerca de 80% dos surdos no mundo são analfabetos.

Dessa forma, outra medida importante é a formação e disponibilização de professores para uma educação especializada.

Bem como de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais de apoio nas salas de aula.

E, com a finalidade de inclusão para além da comunidade surda, a oferta de ensino da Libras e de uso de recursos de tecnologia assistiva são maneiras de promover essa língua.

(Spoiler ⚠️: No final do artigo, vamos indicar as formas que você pode aprender Libras)

Acesso ao trabalho

No ambiente de trabalho, é importante que haja a colocação competitiva da pessoa com deficiência assim como das outras pessoas.

Para isso, é preciso ter meios individualizados que atendam às necessidades específicas da pessoa com deficiência através da oferta de recursos.

Como a tecnologia assistiva, um agente que facilita (por exemplo, um intérprete de língua de sinais) e o apoio no campo de trabalho, de acordo com os artigos de 34 a 38.

Nesse sentido, antes mesmo de chegar ao vínculo de emprego, o processo seletivo também tem responsabilidade com as normas de acessibilidade que devem seguir.

A legislação brasileira também avançou para ampliar as vagas de emprego para pessoas com deficiência.

Cada vez mais as empresas vêm aderindo às “vagas para PCD”, sendo impulsionadas desde 1991 pela Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência.

Da mesma forma, aqui na Passei Direto, temos um Banco de Talentos exclusivo para PCD. Basta clicar aqui para ter acesso.

Acesso à cultura, esporte, turismo e lazer

O formato acessível é descrito nos artigos de 42 a 45 da Lei Brasileira de Inclusão.

Então, de acordo com ela, os locais que sediam eventos e serviços devem eliminar as barreiras de acesso e promover a participação de pessoas com deficiência.

Por exemplo: as salas de cinema devem oferecer meios de acessibilidade em todas as sessões, como uma pessoa intérprete da Libras.

Além dos cinemas, fora do Brasil, já existem shows com a disponibilidade de uma pessoa intérprete de língua de sinais.

Como foi o caso desse show de uma banda de heavy metal:

Acesso à informação e comunicação

Nos dias de hoje, sobretudo com a internet, o acesso à informação passou a ser mais democrático.

Entretanto, pessoas com deficiência ainda encontram dificuldades nesse processo.

Por isso, a LBI assegura que todos os sites do governo brasileiro sejam acessíveis.

Conforme as normas de acessibilidade, todos eles devem conter símbolo de acessibilidade em destaque.

Além disso, as transmissões feitas através de vídeo devem conter subtitulação por meio de legenda oculta, janela com intérprete da Libras e audiodescrição.

Com elas, é possível ter uma leitura com voz sintetizada, ampliação de caracteres, diferentes contrastes e impressão em Braille dos arquivos.

É importante dizer que não só os sites do governo deveriam ter a acessibilidade como prioridade.

A maioria dos conteúdos da internet deveria promover a capacitação de tradutores e intérpretes de língua de sinais, além de guias intérpretes.

Da mesma forma, buscar profissionais habilitados em Braille, juntamente com a disponibilidade de audiodescrição, estenotipia e legendagem.

Nas redes sociais, a legendagem de vídeos já está sendo discutida e amplamente divulgada.

Então, você também pode promover essa inclusão no dia a dia. Além das legendas, veja como deixar seu conteúdo acessível aqui.

Agora que você já viu de que forma a língua de sinais consegue ser um meio importante para a inclusão, que tal aprender mais sobre o assunto?

Conheça 6 maneiras de aprender Libras:

USP STOA

O curso da Libras gratuito e online é oferecido pela plataforma de cursos de apoio da USP.

A disciplina conta com uma série de videoaulas, com conteúdos teóricos e práticos.

Primeiramente, o curso dá uma visão histórica, social e pedagógica sobre o desenvolvimento da língua de sinais, mais especificamente da Libras.

Na segunda etapa, os alunos têm contato com os principais vocabulários e expressões da Libras por meio de uma websérie de ficção totalmente em Libras.

O curso não emite certificado, mas sua proficiência em Libras é o que conta, né? 😉

UNIEDUCAR

A Unieducar é uma plataforma de estudos e oferece um curso da Libras com 4h de duração de maneira gratuita.

Para aulas com maiores cargas horárias, é possível pagar para ter acesso. Contudo, qualquer um que escolher te dará acesso ao certificado.

Ensino.digital

O Ensino.digital é um portal de cursos online voltados para o aprendizado no campo de Educação, além de Administração e Negócios.

Na área de Educação do portal, existem diversos cursos com o tema da Libras, incluindo o curso gratuito e introdutório chamado Conhecendo Libras.

Hand Talk

O Hand Talk é um aplicativo com diversas funções.

Uma delas é o tradutor de voz e texto para Libras, além de um dicionário com sinais de educação para ajudar a ensinar língua de sinais.

Já na parte do aprendizado, o app oferece videoaulas chamadas #HugoEnsina, com o assistente virtual do Hand Talk, ensinando novos sinais.

Kultivi

A Kultivi oferece diversos cursos online e gratuitos, incluindo o de Libras.

Nele, você vai aprender sinais básicos para usar no dia a dia, através de 20 horas de conteúdo, com exercícios e exercícios práticos.

GINEAD

O Instituto Nacional de Ensino a Distância é um portal com cursos gratuitos em diversas áreas.

Com 50 horas de duração, o curso básico de Libras te dá acesso a todo o material de estudo e avaliação, entretanto o certificado é pago.

Librazil

O Librazil é um aplicativo desenvolvido para o ensino da Libras.

Através de exercícios, jogos e animações, os conteúdos lúdicos auxiliam no aprendizado do idioma.

O app é gratuito e está disponível para Android e iOS.

Libras na faculdade

Segundo o decreto nº 5.626, desde 2005, a Libras passou a ser disciplina obrigatória em cursos de formação de professores e de Fonoaudiologia.

Desse modo, é possível que você peça inscrição na disciplina como uma matéria complementar.

Algumas universidades ainda oferecem a disciplina em programas de idiomas, como é o caso do CLAC, da UFRJ.

E você, já sabe falar em Libras? Se não, comenta aqui embaixo por qual dos cursos você mais se interessou 👇

Victoria Fernandes

Victoria Fernandes

Redatora e estudiosa sobre redes sociais. Nas horas vagas, acessa o Twitter e vê vídeos de gatinhos no TikTok.

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